Fantasporto: Um “Bloody Mary” em versão russa

A rainha de espadas é uma carta importante da cultura popular da Rússia. O conto infantil chegou ao 36.º Fantasporto como (mais) um filme de terror nos espelhos.

A rainha de espadas é uma carta importante da cultura popular da Rússia. O conto infantil, elevado por Tchaikovsky a ópera, chegou ao 36.º Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto como (mais) um filme de terror nos espelhos.

O que difere este “Pikovaya Dama”, que chegou ao Fantas com um nome mais “internacional” (Queen of Spates: The Dark Rite), dos outros filmes de terror em que as crianças repetem ao espelho os nomes assombrados?

A resposta data de 1833, ano em que Alexander Pushkin escreveu um conto sobre a avareza humana, que Tchaikovsky adaptou para ópera em 1890. Apesar das diferenças, ambas as versões coincidem numa condessa que escondia um terrível segredo sobre três cartas mágicas. O avarento protagonista engana-se ao puxar uma das cartas e tira a rainha de espadas, ficando para sempre amaldiçoado.

No conto de Pushkin, o castigo do avarento é a loucura e ele próprio se faz internar num manicómio. Há uns anos, um outro conto popular na Rússia sobre um protagonista que se faz internar num manicómio (por ironia, era um dos psiquiatras que lá trabalhava) fez sucesso no Fantasporto: “Ward N.º 6”, de Anton Chekhov, levado ao grande ecrã em 2009.

Regressemos ao Porto: este “Pikovaya Dama” pisca o olho às produções de terror made in Hollywood, com a proibida invocação ao espelho de alguém que está amaldiçoado: a rainha de espadas.

Para quem gosta de filmes nos quais o terror mora nos espelhos, “Pikovaya Dama” é uma escolha segura. Ainda assim, embora a reação do Rivoli tenha sido positiva, o filme dificilmente vingará num circuito comercial que não tenha os conhecimentos mínimos sobre a cultura popular da Rússia.

Jornalista convidado: João Miguel Ribeiro

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