Fantasporto: A armadilha que prendeu o Rivoli

“Deep Trap” é um dos melhores filmes deste 36.º Fantasporto. Num horário noturno, seria forte candidato a obra de culto para os apreciadores do terror made in Coreia.

“Deep Trap” é um dos melhores filmes deste 36.º Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto. Uma obra que, num horário mais noturno, seria forte candidata a obra de culto para os apreciadores do terror made in Coreia.

É certo os filmes devem ser apreciados em silêncio, por respeito aos outros espectadores, mas o Fantas tem já uma tradição que permite ignorar essa regra em raras excepções. Aí, o Rivoli assusta-se, revolta-se, chega a aconselhar ou insultar os protagonistas. E esse ambiente, no segundo filme desta tarde de quinta-feira, apenas ajudou a melhorar o impacto deste filme de Kwon Hyung-Jin.

Não é uma obra para se ver de estômago vazio. Mais do que a violência física, que tem em dose generosa, impressiona pela brutal violência psicológica. Como se pegasse na consciência, ao assumirmos a culpa em conjunto com a protagonista, e lhe desse com um ferro de engomar.

Chega a ser impressionante a facilidade com que os realizadores sul-coreanos lidam com a violência como uma situação do dia a dia. E não é obrigatório mostrar essa violência, às vezes basta olhar nos pequenos gestos de alguém que parece, à primeira vez, ser apenas tímido ou introvertido.

Logo ao início ficamos a saber que um casal ainda lida com um aborto, que ocorreu cinco anos antes. Bastou para calar o Rivoli e tornar o ambiente tão pesado que nem nos apercebemos que já estamos a questionar até onde pode alguém ir para salvar um casamento, uma família.

O ponto negativo foi a tradução: há SMS que podem ajudar a entender o desenrolar da trama, mas ninguém (fora os coreanos presentes) terá entendido os ‘bonequinhos’ que apareciam no monitor do telemóvel, embora o enquadramento e a duração tornassem óbvia a importância dessas mensagens.

Quem passou a viver o Fantas por causa da secção “Orient Express” tem neste “Deep Trap” uma obra quase obrigatória. Não é daqueles filmes com as características dos que levam os prémios, mas está a correr por fora e pode surpreender.

Um apontamento para a pequena curta-metragem da vida real que antecedeu o filme: Kwon Hyung-Jin apresentou-se em palco, mas a tradutora atrapalhou-se com a “pronunciação” e viveram-se alguns minutos… fantásticos.

Jornalista convidado: João Miguel Ribeiro

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