“Este torneio enche-me de orgulho”

adelino alves

Adelino Alves, figura incontornável do bilhar do Leixões falou em exclusivo ao Global News. O motivo centra-se no facto daquela secção estar a fazer um torneio com o seu nome.

O torneio vai levar ao estádio do Mar, nomes como João Ferreira, Pedro Pais e José Miguel Soares, todos do FC Porto. Álvaro Cruz, Coriolano Santos e Manuel Pereira vão defender as cores da equipa da casa e também vão aparecer jogadores como Carlos Almeida, do BCP e Pedro Brandão dos Leões da Agra. O torneio vai estender-se até ao final do mês.

Homem frontal e sem meias palavras, Adelino Alves deu-nos uma entrevista na sala de bilhar leixonense. Falou da sua história na modalidade, dos jogadores que o marcaram e dos que gostaria de ver com o emblema do Leixões ao peito. Mas há uma personagem que esteve sempre no seu discurso, o seu neto Ricardo que seguiu as suas pisadas. Também é bilharista, já defendeu as cores do Leixões, mas atualmente joga pelo FC Porto, a maior mágoa de Adelino Alves. Quanto ao futuro do clube, espera que o investidor brasileiro venha ajudar e não prejudicar.

Adelino Alves, como é que entrou no mundo do bilhar?

Eu comecei a jogar oficialmente no café Astória, em frente à Estação de S. Bento. Entretanto, eu parava muito no café Caravela e o responsável do salão era o Sr. Manuel Braga, campeão nacional de bilhar livre. Ele depois mudou para o café Pátria e eu fui com ele para lá.

Nesse café comecei a treinar bilhar às três tabelas sob as orientações dele e comecei a “bulir”. Até que entro em competição no Astória e fui Campeão Regional de 4ªs categorias. Como naquela época se subia por média e não por pontos, eu fiz média e subi à terceira categoria e fui disputar o Campeonato Regional de terceiras nos Fenianos.

Mas entretanto parou de jogar…

Por razões profissionais fui obrigado a abandonar esse campeonato e o bilhar. Só voltei ao bilhar em 2007.

A influência do neto para recomeçar a jogar bilhar

Quando o meu neto já estava crescidinho eu levei-o a ver a Taça do Mundo de bilhar à nave do Pavilhão dos Congressos. Ao fim de dois, três anos a ver jogar bilhar virou-se para mim e perguntou, “avó porque não vais jogar bilhar?”. De início não queria mas depois voltei.

Depois por convite do Carlos Anastácio, que era capitão na altura perguntou-me se eu não queria fazer parte da equipa Senhor do Padrão. Eu aceitei e levei o meu neto. Ele começou a evoluir e a dada altura já me ganhava.

Entretanto foi fazer um estágio a Espanha, ao Quetglas e veio de lá com mais conhecimentos. E ainda fez outro estágio no FC Porto com o Sanchez. Portanto, evoluiu muito rápido. Em três anos passou da terceira para a primeira divisão.

O neto Ricardo muda-se para o FC Porto

Depois por razões que desconheço saiu daqui e foi para o FC Porto. A maior facada que tive em termos desportivos foi o meu neto ter ido para o FC Porto, mas ele é que sabe. No mesmo ano que foi para lá desceu de divisão. Não percebi, mas agora já está na primeira.

Foi assim que vim para cá e continuo aqui porque fiz muitas amizades. Tenho encontrado muitos amigos que já não via há muitos anos.

Entretanto o que me fez parar é que as pessoas levam este desporto como de vida ou de morte. Eu levo isto para me distrair, para não estar em casa a olhar para a televisão. Porque o desportivismo é o mais bonito disto tudo.

Que jogadores o marcaram mais nestes anos todos?

No Leixões o jogador que mais me marcou foi o Américo Rui. Só tenho pena porque às vezes perde-se por não ter cabeça. Como jogador de bilhar é o melhor que apareceu cá. Depois temos o Coriolano Santos que é muito bom jogador. Desde o ano passado temos o Álvaro Cruz, que tem estado a evoluir bastante. Temos também o Manuel Pereira que tem altos e baixos mas é bom.

Quem gostaria de ver jogar hoje no Leixões?

Quem eu gostava mais de ver aqui era o meu neto. Ver o Hugo Costa por exemplo. Também gostava de ver cá o Pedro Pais. De outros clubes gostava de ver o José Escudeiro do Leça, o Aranha que era dos Fenianos, agora penso que joga a título individual. O Miguel Santos, que está no Porto mas que também já esteve nos Fenianos. São os indivíduos que mais gostava de ver aqui.

O que lhe vai na alma sabendo que existe um torneio com o seu nome?

Ao fim destes anos todos, de 60 anos de clube que faço agora. Sou o sócio número 62, é um orgulho para mim e se calhar para o meu neto também. Eu não sabia de nada. Este torneio enche-me de orgulho e a mais algumas pessoas que estão ligadas a mim, mais concretamente à minha família.

Ao fim destes anos todos apareceu alguém que conseguiu reconhecer os meus méritos. Eu vou parafrasear um filósofo que disse “quando o trabalho é reconhecido é a oportunidade de fazer mais e melhor”. E é isso que eu vou fazer. Tenho colaborado com a secção, embora não jogue. Atualizo os resultado, faço as inscrições por exemplo. Ajudo nas marcações dos jogos e arbitro quando posso.

Está reformado mas trabalha no clube, concretamente na secção de natação. É secretário administrativo, convocando os atletas por exemplo.

Como sabe a SAD do clube vai ter um novo administrador. O que acha de tudo aquilo que se está a passar no clube?

Ao fim de 60 anos de clube um individuo não acha nada. Felizmente ou infelizmente posso dizer que já passei por situações dramáticas no clube. Esta é mais uma e estou convencido que se vai ultrapassar. Vai haver alguém que vai buscar o Leixões ao poço. Estou convencido que é isso que vai acontecer. Esta história do brasileiro, que ao que parece é «boxer», já está num site brasileiro, o Trivela, que fala muito mal dele. O individuo diz que tem o apoio de uma empresa inglesa… O futuro é que vai dizer o que vai acontecer. Mas até pode vir a fazer coisas que possam vir a ajudar o clube, que é isso que eu espero.

Que mensagem gostava de deixar aos leixonenses gostam do bilhar e que o têm vindo a apoiar?

Aos leixonenses que estão ligados ao futebol, digo-lhes que apoiem o clube como deve ser, sem insultos e arrufos. É apoiar com gritos de alma e coração, incentivar os jogadores. Aos que vêm cá ao bilhar, a esses digo-lhes que vejam o Leixões como a sua segunda casa.

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