Crónica: O OXIgénio que faltava à Europa

Athens, Jun 2011 - 38

O grande NÃO grego é também o nosso NÃO.

Resistindo a todas as pressões e chantagens, o povo grego pronunciou-se hoje em referendo contra a imposição de mais um pacote de austeridade.

A candidatura cidadã LIVRE/TEMPO DE AVANÇAR saúda o povo grego pela sua coragem e dignidade e saúda o governo grego pela forma como, com determinação, se manteve fiel aos princípios da União Europeia: solidariedade e democracia.

Segundo as primeiras projeções e contagens de votos, o NÃO terá tido uma vitória clara que vem reforçar a posição do governo grego na busca de uma solução para a crise do euro.

Respeitemos o povo grego e reconstruamos a Europa. Acabou o tempo dos ultimatos. A União Europeia deve agora arrepiar caminho, pôr termo à austeridade e resolver as dívidas públicas numa conferência de todos os países membros com todos os credores.

É também chegada a hora de o governo português abandonar a sua irresponsável posição de inflexibilidade e bloqueio. Em nome do interesse nacional e do interesse europeu, Portugal deve estar do lado das soluções: reestruturação da dívida e relançamento da economia já!”

Este foi o comunicado oficial depois de saber que a Grécia tinha decidido responder com um grande NÃO em referendo, que conseguiu 61%, com mais de 50% dos gregos a votar.

Este foi um dia histórico, um dia de vitoria para a Democracia, no mesmo sitio onde Ela nasceu. Esta foi a mensagem que os gregos passaram para os credores e para a Europa. Chega de austeridade, é possível outras vias e alternativas, e está na altura de as explorar. A mensagem é inequívoca. O governo de Atenas tem agora a legitimidade e a força para discutir a questão com a Europa. Vai ser uma semana de muitos braços de ferro, com contatos e negociações.

E Portugal também tem interesse no desenrolar da situação, sendo mesmo o governo Português um dos grandes entraves a negociações que suavizem as medidas de austeridade impostas ao povo grego, pois o mesmo é admitir que em Portugal é possível fazer o mesmo, e logo não fazendo sentido estas medidas severas que foram seguidas pelo nosso primeiro ministro, contra o povo português e a favor dos grandes credores, nomeadamente a Alemanha.

A linha politica seguida por Passos Coelho para ganhar as próximas eleições legislativas caí hoje por terra, e o povo português cada vez mais tem a noção que existe uma alternativa viável. Que é a que O L/TDA sempre defendeu. – A reestruturação da divida. E agora este referendo vem reforçar esse sentimento, que este é o caminho certo a ser seguido, pensando primeiros nas pessoas, em vez de pensar apenas na divida. É tempo de avançar e pôr termo à austeridade e resolver as dívidas públicas numa conferência de todos os países membros com todos os credores.

Agora resta esperar por novos desenvolvimentos mas manhã teremos mais negociações e numa semana muito pode acontecer. Tal como na Europa, aqui no Porto também muita coisa aconteceu nesta ultima semana desde a ultima crónica. E é sobre o Porto que gostamos de debruçar e informar.

Rui Moreira enviou uma carta aos municipes alertando para o aumento da água no municipio. “O Governo impôs, à força, a fusão das empresas que vendem água aos municípios, extinguindo a Águas de Douro e Paiva [AdDP], de que é acionista o município do Porto. Este processo terá como consequência, a curto prazo, um enorme aumento do preço da água ao consumidor, que poderá atingir os 40%”, e que vai trazer prejuízo de 13,5 milhões de euros, em cinco anos, avisa o Presidente da Câmara do Porto. O L/TDA está terminantemente contra esta fusão e contra a privatização da água. Um bem essencial que não pode ser objeto de lucro por parte do grande capital.

Este sábado houve também a 10ª marcha LGBTI, onde o L/TDA esteve representado por vários candidatos, entre eles a Diana Barbosa, a segunda na lista para deputados às legislativas.

O cabeça de lista entretanto já não é o Daniel Mota, como nós tínhamos noticiado na crónica anterior, e onde foi noticiado também em direto pela SIC Noticias e por vários jornais. A Comissão Eleitoral recebeu queixas sobre a votação por correspondência, onde averiguou que 46 envelopes tinham sido enviados todos juntos, inviabilizando os mesmos, o que alterou a ordenação. Daniel Mota passou para 10º, contando só com os votos presenciais. Como o Regulamento das primárias é omisso nesse aspeto, Daniel Mota não foi excluído mas sim recolocado noutro lugar. Decisão da comissão de Etica e arbitagem do L/TDA.

É importante também salientar que foram as primeiras primárias abertas para a escolha de deputados para a Assembleia da republica, e quem desbrava caminhos às vezes sofre alguns percalços. Nem tudo é perfeito, mas existem mecanismos e sítios próprios para esclarecer estas questões e também apenas resta esperar por novos desenvolvimentos.

Ficando assim Ricardo Sá Fernandes em cabeça de lista. Mantendo Diana Barbosa em segundo por causa da paridade, e subindo Jorge Morais para terceiro. Mantendo também Mariana Topa em quarto lugar.

Mas tal como a semana passada, muito pode acontecer durante esta semana que agora vem, e muita coisa pode mudar entretanto. Hoje, porem, é isto que se passa e é disso que damos conta. A Grécia deu o exemplo, vamos ver como responderá o governo de Portugal.

Sérgio Monteiro

Membro e candidato LIVRE/Tempo de Avançar

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments