Rodrigo Leão & Scott Matthew Misty Fest 2016 | Coliseu do Porto www.diogobaptista.com

A fasquia do Misty Fest elevou-se mais um pouco com a parceria melódica luso-australiana protagonizada por Rodrigo Leão & Scott Matthew. Uma sala muito composta acolheu o primeiro concerto da digressão ibérica dos dois músicos e respectiva banda no âmbito da apresentação ao vivo do álbum lançado em Setembro, e gravado por ambos, “Life is long”.

À hora marcada o público vai caindo nas cadeiras do Coliseu como as peças no Tetris. Os lusitanos retardatários vão ‘arribando’ paulatinamente. A galeria e o popular “galinheiro” não fazem parte das contas, o resto está quase preenchido. A escuridão assalta o palco: os músicos entram 15 minutos depois da hora.

A bateria é a primeiro instrumento a ser ouvido, com a batida certeira de Frederico Gracias, numa música que serviu de introdução ao espectáculo e permitiu ao público flutuar. O espectáculo prossegue já com Scott Mathew no estrado a experimentar a sua voz imponente. Rodrigo Leão andou do baixo para o sintetizador, o violoncelo de Carlos Tony Gomes foi ‘ouvisto’ a sublinhar a matriz musical do colectivo (são dele os arranjos do álbum), o violino de Viviena Tupikova (que a espaços esteve de igual modo nos teclados) também chegou a marcar alguns do momentos do concerto e o trombone de Marco Alves (fez também uso sonoro do metalofone) a espelhar uma certa estética visual e a espalhar um certo virtuosismo melódico e João Eleutério apresentou-se tão discreto quanto funcional.

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Rodrigo Leão & Scott Matthew
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“Nothing Wrong” revela em todo o seu esplendor as qualidades vocais do australiano e as mudanças operadas na música de Rodrigo leão, cuja sonoridade soa agora a namorar o estilo pop, sem contudo perder o ADN melódico que tanto o celebrizou. A voz de Scott acompanha a intensidade instrumental numa simbiose perfeita. “That’s Life” entra logo a seguir e fica marcada pelo tom cerimonioso do trombone e naturalmente pelo canto de Matthew. A cor azul apropria-se do palco.

A intensidade laboriosa dos músicos torna-se perceptível nas cambiantes do diapasão, uma espécie de bailio entre o violino e o trombone. Após algumas incursões musicais por outros álbuns, como foi o caso de “Cinema”, ou de temas emblemáticos como “Alma Mater”, que também foram ouvidos, o colectivo volta a contar com a presença de Matthew, que tinha entrado registo de ‘abandoned’ (do palco) por alguns instantes. “Unnatural disaster” é um tema de igual modo poderoso e todo o palco está plasmado de um vermelho acentuado na altura da sua audição.

“Incomplete”, cujo magnífico vídeo foi gravado na Casa do Vinho Verde no Porto, surge logo depois e foi a música-chave para juntar os dois músicos, tal como referiu o australiano. Chega a altura de Scott Matthew ficar a encantar as hostes sozinho. “Smile”, o tema escrito por Charlie Chaplin, cuja versão de Scott integra o álbum “Unlearned”, faz as primeiras delícias do público neste período de ‘solidão em palco’, de resto bem-humorada por sinal.

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Quando arrisca “I Wanna Dance with Somebody”, o clássico de Whitney Houston, convoca a assistência para o auxiliar no refrão e naquele despojo humilde dos grandes desata a rir a meio do tema, o público colabora de forma bem audível, pelo meio Scott já balbuciou “Don’t you want to dance with me boy… or girl, i don’t care” passou a figurar como a letra inovadora desta versão do músico natural de Queensland. E contagiava o público com o riso, de cada vez que a letra desembocava nessa parte.

Já com ‘o maestro’ Rodrigo Leão em palco desfila o conhecido tema “Terrible Dawn”, uma das músicas mais conhecidas da dupla. Scott parece entrar de mansinho, em pezinhos de lã, e num instante viaja num ápice de uma tonalidade mais aguda para a mais grave, revelando uma enorme versatilidade vocal. E que dizer daquele vozeirão que irrompe sala dentro no tema homónimo do álbum “Life is Long”? Um dos momentos da noite, sem margem para dúvidas. A comunhão entre os instrumentistas é total, a música é ilustrada a jactos de luz vermelha que banham o palco. O encore é portador de “That’s Life”… e é a vida, tivemos de vir embora, muito contrariados, diga-se de passagem. Até porque Rodrigo Leão & Scott Matthew fazem lembrar num outro sentido, numa outra acepção, Terence Hill e Bud Spencer: “Juntos são Dinamite”.

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