Catarina Feijão e Learth Moreira entram na sala-estúdio do Teatro Campo Alegre vestidas com cores garridas, desde logo uma paleta a contrastar com o enfático cinzento, mais claro ou escuro (há alguns quadrados pintados em tons mais acentuados nessa mesma cor) que preenche as paredes da sala.

Estão determinadas na intenção de levarem até ao limiar da tolerância a abertura dos respectivos bocais, recorrendo à repetição da palavra “neutro” através de uma cadência tonal que conduzirá o termo ‘pr(e)oferido’ até à exaustão. Dir-se-ia que nesta “fase” – já agora que aproveitamos o léxico – estão quase “eléctricas” na ambição de prosseguirem com avidez à abertura das ‘mandíbulas’. Passado algum tempo já estão a espumar pela boca. O espanto é uma das múltiplas expressões que conseguem traduzir através do rosto. E, em boa verdade, contaminam o público com esse pasmo.

Gatinham até à bancada onde o público está instalado, ensaiam outros movimentos e procuram causar fadiga em quem vê, desafiar a resistência do espectador à custa de um esforço notório dos maxilares que as força a uma espécie de sorriso permanente. Se estivéssemos a falar do facebook, Catarina e Learth constituiriam por si só, e em termos de expressão facial, um vasto conjunto de emojis.

Agitam o corpo em gestos mecânicos: ficam por cima uma da outra, batem sexo com sexo, seios com seios. E a saliva teima em pingar para o queixo de ambas. Agitam-se e ficam caídas de borco, de lado e de barriga para o ar, sempre com os dentes franzidos. Prosseguem de cócoras ou de pé e ensaiam reverberações vocais, soa a fado e a música brasileira cantados como quem tem um rebuçado da Régua na boca. Movem-se entrelaçadas ao estilo de quem joga futebol-aranha, sempre com muita graciosidade e com aquelas camisas profusamente cromáticas a baterem nos olhos do espectador.

“Chubby Bunny”, o tal jogo que é um desafio levado a cabo com o maior número de gomas que os concorrentes podem aguentar na boca e durante o máximo tempo que aguentarem, serve de título e de propósito na peça. Resistimos, e pelos vistos, fizemos bem.

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments