Cerveja artesanal produzida no Porto traz à cidade um sabor mais gourmet

Foto: Diogo Baptista

A pequena entrada da fábrica poderá até passar despercebida a quem por lá passa, mas o cheiro a cevada que se faz sentir na rua não deixa enganar: aqui produz-se cerveja. De sabor apurado e feita a partir de produtos naturais, a SOVINA é uma cerveja elaborada totalmente de forma artesanal e já considerada produto gourmet devido à sua elevada qualidade.

Nasceu do sonho de um dos sócios e tornou-se no êxito dos três cervejeiros, que vêem nesta bebida mais do que um trabalho, uma paixão. 30 anos volvidos e um sem número de cervejarias visitadas por toda a Europa, a oportunidade de negócio surgiu quando um antigo produtor decidiu vender o material de que dispunha. Reunido o material e adquirida a força de vencer, a Alberto Abreu e Arménio Martins juntou-se o experiente Pedro Sousa, ficando assim completa a receita para o sucesso.

Depois de 3 anos de incubação e muitas experiências realizadas, a SOVINA saiu para o mercado em Setembro de 2011 e desde então que não tem parado de crescer. Arménio Martins diz não terem mãos a medir para todas as encomendas que lhes chegam e aguardam ansiosamente o dia em que poderão expandir o negócio. Com pedidos de França, Estado Unidos e Espanha, esperam ainda chegar a mais países e tornar este negócio sustentável. Contudo, de momento, mantêm trabalhos paralelos à produção da cerveja.

Garantem que nenhum dos sócios é sovina e que o nome surgiu por falta de hipóteses, mas que este acaso do destino, sobressaído nas páginas de um livro, foi bem acolhido pela população, que considera um nome tipicamente portuense. Uma cerveja intensa e um logótipo “provocador”, que Arménio diz “adequa(r)-se a crise em Portugal”.

Desde o surgimento da marca já lançaram 7 variedades de cerveja e querem manter constante a produção de 5. Em alturas especiais apresentam edições limitadas, como foi o caso da cerveja especial de Natal que, para não fugir à época, veio com uma prendinha no sapato – maior percentagem de álcool (10%) que as restantes (4,5%). Este ano, voltam a produzir a Helles Bock, que tal como no ano anterior, sairá na Primavera. Mas engane-se o leitor que esperava poder provar esta delícia, pois o lote já está praticamente esgotado.

Quanto às diferenças entre a cerveja artesanal e as demais cervejas produzidas industrialmente, essas saltam à vista. Aliás, ao paladar. E a explicação é simples: o sabor mais acentuado da bebida artesanal reside no método de confecção, que para além de ser em pequenas quantidades e não usar corantes, conservantes ou açúcares adicionados, recorre a decantação como método de filtração. Ao contrário das outras cervejas que utilizam filtros e, por isso, retiram grande parte do sabor à bebida final. Como ingredientes especiais, tem ainda “muito amor e paixão”.

A equipa que faz a Sovina. Foto: Diogo Baptista

São poucas as marcas a competir directamente com a SOVINA e a rivalidade não é uma preocupação para os sócios que acreditam haver espaço para todos no mercado. O negócio vai bem e recomenda-se e, de futuro, esperam mudar de instalações, adquirir novo material e, sobretudo, conter os gastos a nível energético, através da implementação de painéis solares. De uma indústria não-poluente a uma empresa amiga, aqui, até o produto resultante da brassagem (ver método de fabricação) serve de alimento aos animais de quinta de um morador local.

Sovinas apenas na marca, estes cervejeiros não se importam de partilhar os seus conhecimentos através de workshops onde ensinam os amantes da bebida de malte a produzir a sua própria cerveja em casa a partir da matéria-prima em bruto.

Todavia, e se lhe dissesse que fazer cerveja é tão simples como misturar água e concentrado de malte, esperar quinze dias e voilá, tem a sua própria cerveja caseira, pronta a ser engarrafada? È verdade. No armazém da SOVINA pode-se, também, encontrar kits que permitem a elaboração de cerveja em casa de forma rápida e simples.

Portanto, feita por si ou comprada nas imediações da SOVINA, pegue na sua cerveja, sirva-a entre 6º a 8º, acompanhe de um bom prato e assegure uma boa companhia. A noite será, de certo generosa.

CERVEJA ARTESANAL PASSO-A-PASSO

1)      Tal como em todos os pratos de sucesso, na produção de uma cerveja a receita é o ponto de partida. Aqui, o importante é escolher entre os vários tipos de malte e de lúpulo o que melhor se encaixa no tipo de cerveja que idealiza, pois são estes constituintes que vão dar cor, sabor e corpo à bebida.

Passo 1 – Foto: Diogo Baptista

2)      A fase seguinte não poderia ser mais simples. É a redução do malte a partículas mais pequenas através da moagem.

Passo 2 – Foto: Diogo Baptista
Foto: Diogo Baptista

3)   Segue-se a brassagem, etapa em que o malte moído é misturado com água quente e na qual os amidos são convertidos em açúcares. O produto líquido resultante desta etapa chama-se mosto e é pasteurizado durante cerca de uma hora até atingir os 100º. Ainda nesta fase, são incluídos os lúpulos, sendo os de amargor os primeiros a serem adicionados à fervura, depois os de sabor, sensivelmente a meio do processo, e por fim os de aroma.

Passo 3 – Foto: Diogo Baptista

4)      O mosto é, depois, rapidamente arrefecido, passando dos 100º para os 20º.

5)      Segue para o fermentador, onde são acrescentadas as leveduras e onde fica a levedar entre uma semana a quinze dias, dependendo do grau de álcool pretendido. E o tempo de espera não pára por aqui. De acordo com cada tipo de cerveja, a bebida fica a maturar durante mais quinze dias ou 1 ou 2 meses.

Passo 5 – Foto: Diogo Baptista

6)      Passado esse tempo, a cerveja está pronta a engarrafar e desfrutar. A cerveja artesanal não deve ser servida muito gelada para não perder as suas propriedades tão características.

Passo 6 – Foto: Diogo Baptista

Sabia que… a carbonatação é feita naturalmente. O Dióxido de Carbono (Co2) produzido na fermentação é o que vai ser introduzido nas garrafas dando origem ao “gás” da cerveja.

 

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