“Casco Azul” é, bem o podemos dizer, um espectáculo subtil. Há uma mensagem repleta de seriedade subjacente a uma situação de comicidade contínua desencadeada por um texto que remete para o desconcertante, tal como a própria condição dos soldados em missão de Paz no Haiti, onde tudo decorre.

Sitiados numa base das Nações Unidas, em Porto Príncipe, no Haiti, quatro capacetes azuis chilenos confrontam-se com o princípio de uma revolução que acaba mesmo de eclodir na ilha. Impreparados, sem saber o que fazer perante a situação e minados pelo receio de perda das suas próprias vidas: Ernesto, Carlos, Lenine e Raul estão ainda assim dispostos a tentar, no seio do espaço mínimo onde se confinam as suas existências em perigo, a tentar compreender as razões e reais motivações do povo para a revolta.

Apostam, por conseguinte, na leitura de Hegel na demanda para o entendimento do que leva as pessoas à insurreição. Revela-se uma tarefa árdua e demasiado hercúlea para chegar a bom porto. Resta-lhes esperar e ficar à sorte da sua parca condição, onde reina a impotência para fazer face aos acontecimentos.

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No meio de tudo isto espelham-se os equívocos geográficos e gramaticais (alguns mesmo patéticos), o racismo, a homofobia, a pedofilia e a ignorância, entre múltiplos aspectos versados na peça que colhem o interesse do espectador.

António Altamirano, o encenador, conduz de forma inteligente o elenco para o lado satírico de condição, ficando para o espectador a leitura e a noção da medida escassa entre o que sucede na ficção e o que se verifica na realidade. O texto, cuja autoria pertence ao dramaturgo uruguaio Santiago Sanguinetti, estreou em maio de 2016 e marca o regresso do Teatro Amplio, do Chile, ao FITEI.

A interpretação está a cargo de Pablo Manzi, Juan Pablo Miranda, Rodrigo Soto e Nicolas Zarate.

A peça tem direito a mais uma representação hoje, quarta-feira, dia 14 de Junho, no Teatro Constantino Nery, em Matosinhos, às 21h30. A Casa das Artes de Felgueiras acolherá o espectáculo já na próxima sexta-feira, dia 16.

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