Cars and Girls

Titulo de uma fantástica musica de uma enorme banda dos anos 80. Prefab Sprout. Há miudas com quem nos fomos cruzando ao longo da vida que nos deixaram marcas permanentes. Algumas, pelo impacto que provocaram, pela sua beleza, pelo seu sorriso, pelos seus olhos. Momentos desses nunca mais se esquecem.

Mas, para nós amantes dos automóveis, sabemos que também houve carros que nos marcaram. Seja pelo impacto da primeira vez que os vimos, seja pela primeira vez que “falámos” com eles. Provavelmente nunca iremos conduzir alguns deles e apenas ficará aquele “amor platónico” e o desejo de os guiar ou então, outros, iremos um dia testa-los muitos anos depois de os termos visto pela primeira vez.

Há tempos vi um documentário em que o apresentador experimentava, 30 anos mais tarde, um Lamborghini Countach, o mesmo que tinha num poster do seu quarto de adolescente. Ele ficou desiludido e disse que nunca deviamos procurar o nosso amor de infancia porque nos iriamos sempre desiludir. Não sei se será sempre assim.

Desde que sei o que é um carro e de muito em muito tempo, vejo um carro (ou miuda) que me levanta do chão, me deixa “abananado”. Quando era miudo isso acontecia com mais frequencia, confesso. Lembro de alguns.

O primeiro foi um carro de uma marca alemã pouco conhecida na altura e que, o pai de um vizinho que trabalhava no “Baptista Russo” levou para casa, me deixou a sonhar. Era um BMW 2002 Tii branco. Achei o carro lindo e com um barulho maravilhoso. Ele arrancou em aceleração e aquele passou a ser o meu alvo de cada vez que comprava um carrinho da “Matchbox”.

O segundo foi um DeTomaso Pantera de competição que vi no “paddock” da rampa da serra das Meadas em 1980. Foi a primeira vez que vi um velocimetro a marcar 300 Km/h. Anos mais tarde, e embora pareça estranho, o Renault 4 castanho em que pela primeira vez conduzi, era o carro dos meus sonhos.

Ainda hoje tenho aquela sensação, em cada vez que conduzo, de estar a conseguir largar equilibradamente a embraiagem e a acelerar de maneira a que o carro andasse. De quando acelerei um pouco mais e de quando travei, levando o meu “instrutor” a espetar a cabeça no pára-brisas. Lembro de quando aos 17 anos guiei um outro icone, um VW Golf GTI e de me ter imediatamente apaixonado.

Nunca mais me equecerei do dia, em que ia sentado na bagageira de um Peugeot 204 station, e vi vir na minha direcção um carro grande, branco, com uma grelha vertical, muito maior que os demais carros que viamos na estrada. Achava que já tinha visto uma coisa parecida num episódio de “os cinco”. Mas, ali ao meu lado, a dar pisca para ultrapassar, era de uma imponencia que nem hoje nenhum ecrã HD LED podia transmitir. Era um Range Rover 3,5 V8.

Aquele, durante anos, deixou-me a sonhar. Experimentei vários durante algum tempo mas os Diesel que por cá andavam, só deixavam mais a desejar. Só muitos anos mais tarde pude encontrar o V8 (no caso já um 3.9 EFI) no estado que queria e desfrutei de cada minuto em que esteve comigo. Tive que o vender e muito me custou. Um dia talvez nos voltemos a encontrar.

Um dia volto-me a apaixonar. Como aconteceu há pouco (por exemplo, por um Audi A5) mas têm que estar reunidas as condições para que vivamos felizes os dois, e não era o caso e ele provavelmente vai parar às mão de um “pato bravo” qualquer que não lhe dá o valor que eu dou.

Tudo isto são opiniões, claro, porque o que para mim é bonito pode ser vulgar para outros.

Por outro lado, podemos sempre continuar a acalentar e a manter viva uma paixão. Ao fim e ao cabo eu sou apaixonado por um Porsche 911 (qualquer um, especialmente o ultimo) e, tirando uns flirts, uns beijos e uns “amassos”, ainda não estamos juntos. Talvez um dia.

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