Arte & Ofício apresentaram álbum com (no) “Corte Inglés” – aLIVE after 40 years

Foi com um numeroso grupo de admiradores e curiosos, em plena secção dos livros do El Corte Inglés de Vila Nova de Gaia, e socorrendo-se de um pequeno palco montado para o efeito, que os Arte & Ofício apresentaram, ontem, sábado, através de um showcase electroacústico, o novo álbum da banda “aLive after 40 years”.

As obras de carácter literário e de outras temáticas que se encontra(va)m nas estantes e também espalhadas pelo espaço tiveram direito a um especial e inusitado ‘marcador… musical’: um miniconcerto, em que os músicos tocaram quatro temas (mais um excerto de outro). A antecipar a apresentação ao vivo do mais recente registo dos Arte & Ofício decorreu uma conversa animada e divertida com Sérgio Castro e António Garcez, moderada por Álvaro Costa, o conhecido homem da rádio e da televisão cuja actividade tem estado muito ligada à divulgação musical.

Para quem os (ou)viu no ano passado, a 30 de Outubro, na Casa da Música, no Porto, num espectáculo tributário das quatro décadas de existência da banda, não surpreendeu que desta vez,  mesmo num espaço sem características para a realização de uma performance musical, a actuação fosse digna de realce.

E foi com a trupe Arte & Ofício reforçada que as músicas foram desfilando. Assim, disseram ‘presente à chamada’: António Garcez na voz; Sérgio Castro no baixo eléctrico e na guitarra acústica; Álvaro Azevedo nas percussões; Fernando Nascimento na guitarra; Jorge Filipe Santos nas teclas; Pony João Machado na guitarra e Inês Soares na voz/segunda voz/coros.

“Turn the light” abriu as hostilidades, logo após a conversa com Álvaro Costa. A textura musical que sintetiza o rock and roll, o rhythm & blues e o jazz soa de forma poderosa. Luís Miguel Loureiro, jornalista televisivo e um melómano confesso (integra a organização do Gouveia Art Rock, iniciativa musical que se dedica ao segmento do denominado rock progressivo) segreda-nos: “O que mais me fascina nos Arte & Ofício é a capacidade de agregarem essa multiplicidade rítmica” e sustenta logo em seguida: ”A música deles é perfeitamente actual”.

 

“Let yourself be” com aquele instrumental pujante em que se descortina com nitidez todo o conjunto harmónico e melódico e a voz de António Garcez a entrar naquele seu peculiar jeito operático de cantar temas rock. O rendilhado nas cordas com Fernando Nascimento, Pony e Sérgio Castro em grande e Jorge Filipe Santos a jogar em perfeição aquele dominó dos teclados. Álvaro Azevedo, por seu turno, continua a domar as percussões em grande ritmo.

E em “Quibble” a ‘desbunda’ prossegue. Inês Soares sai da discrição a espaços para um auxílio notório no canto. “Finally” é para acabar em embalo, embora não se trate de um lullaby. O título do tema parece indiciar um rodapé, mas isso só acontece com um excerto de “The Little story of little Jimmy” em toada de grande adesão por parte do público e com palmas a preceito. No final da actuação os músicos disponibilizaram-se para autografar os exemplares do álbum e um consequente contacto quase familiar com os fãs.

Uma interrogação subsiste agora que são volvidos 40 anos desde a fundação da banda. Até onde poderiam ter ido os Arte & Ofício se tivessem tido outras condições conjunturais para prosseguirem? Pela qualidade ostentada ainda hoje, talvez tivessem ido muito longe. A resposta, ainda que parcial a esta questão, bem que podia ser dada através de um convite para um dos múltiplos Festivais de Verão. Eles ficam à espera do desafio, mas permanecem sentados.

Texto: João Arezes

Fotos: Alexandre Bernardo

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