Anthony Giddens: “A democracia está a enfrentar problemas em todas as partes do mundo”

O sociólogo, Lord Anthony Giddens, defendeu ontem que “a democracia está a enfrentar problemas em todas as partes do mundo”. Durante o debate nas Conferências do Estoril, Anthony Giddens analisou os principais desafios que a Globalização coloca à Democracia.

Os problemas com os quais vivemos na Europa não são diferentes de outa região do mundo. A falta de confiança comum a todas as democracias, a falta de respeito dos cidadãos pelos políticos, o poder cada vez mais reduzido dos parlamentos nacionais”, apontou o sociólogo, notando também, com apreensão, o aumento de movimentos extremistas, impulsionados pelas redes sociais.

Apesar de afirmar que não acredita que as instituições tradicionais – como o Estado de Direito ou os Parlamentos -, sejam substituídas, avisou que deve haver uma “abordagem diferente”, nomeadamente eliminar os limites e problemas que advêm da burocracia.

Segundo Anthony Giddens, a Democracia do futuro não se deve cingir só à liberdade de imprensa ou a eleições. Tem que incluir outros fatores como a “responsabilidade e a meritocracia”. E considerou que a Europa não deve tentar só levar a democracia aos quatro cantos do mundo, mas antes “perceber como ter uma abordagem mais alargada e um debate global”.

Lord Anthony Giddens autointitulou-se de “Pró-Europa” mas referiu que “não há uma estrutura de liderança legitimada na União Europeia”. “As grandes potências é que assumem a predominância. Neste momento é a Alemanha, mas isso é insustentável. As consequências políticas têm sido nefastas”, afirmou o sociólogo.

Para que a Europa recupere a competitividade Giddens considera fundamental haver “convergência salarial” na Europa. “O futuro da Europa depende do euro. Se houver um colapso ou retrocesso o comboio corre o risco de descarrilar”.

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