Odeia hipocrisias e por isso o papel que lhe foi reservado em “Pátria”, vídeo promocional do Salão Erótico de Barcelona 2016, certame da mesma organização do Eros Porto, assenta-lhe que nem uma luva. Famosa em Espanha, onde venceu o Prémio Ninfa 2014 para Melhor Atriz de Filmes para Adultos, Amarna Miller foi a protagonista de um dos vídeos mais polémicos e virais dos últimos tempos.

“Chamo-me Amarna Miller, sou atriz porno e nasci num país hipócrita…” é assim que se apresenta logo no início de “Pátria”, vídeo produzido pela agência catalã Vimena. Ao longo de pouco mais de um minuto, de olhar fixo e cabelos avermelhados, no centro da cena que recria a última ceia, Miller coloca a nu as incoerências morais da sociedade espanhola (e não só) nos mais diversos temas, como touradas, corrupção, aborto, prostituição, orientação sexual, imigração e até religião.

O impacto foi tal que “Pátria” alcançou um milhão de visualizações no YouTube, em apenas 24 horas, e mais de 20 milhões, em todas as plataformas, na primeira semana, tendo sido mesmo comentado e partilhado por políticos do país vizinho, como Pablo Iglésias e Iñigo Errejón, líderes do Podemos.

Amarna Miller vai estar no X Eros Porto – Salão Erótico do Porto, que se realiza entre 9 e 12 de março, na Exponor. Logo no primeiro dia do evento profere uma palestra sobre “pornografia ética e feminismo” no espaço “AULA”.

Psiconauta profissional

Mas afinal, quem é a convidada de honra do Eros Porto? Nascida em Madrid em 1990, Amarna define-se como “psiconauta profissional, alma livre e cidadã do mundo” e, tal como explica, “enquanto desordeno ainda mais a minha entropia existencial, trabalho como atriz e realizadora de filmes para adultos”. Atualmente grava para diferentes produtoras internacionais, pelo que a sua vida faz-se em constante movimento e em viagens por várias regiões do mundo.

Miller estudou Belas Artes, fundou uma produtora de conteúdo explicíto que dirigiu durante cinco anos e é autora frequente de artigos para diferentes publicações, nos quais revela um grande consciência política e social e de que são exemplo “Arte e censura nas redes sociais” (El País), “O corpo como ação política” (Vice Magazine), “Não percam tempo” (El Periódico de Cataluña), “O fracasso da democracia” (Tribus Ocultas), “A abelha que morreu na minha rodagem com Rocco Siffredi” (Playground Magazine) ou “O slut-shaming tecnológico, os problemas de ser uma pequena empresária na indústria pornográfica” (Gonzoo).

É ainda autora do livro de poesia “Manual de Psiconáutica”, lançado em 2015, no qual nos deixa espreitar para o interior de si própria, através de uma coleção de imagens cuidadosamente recolhidas e acompanhadas por uma série de textos sobre a atualidade ou o momento em que tirou essas fotografias. Confessa-se “viciada na adrenalina e em sair fora da zona de conforto” e adora antiguidades, gatos e propostas estranhas. Nos seus tempos livres planeia “como conquistar o mundo”.

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