“Agora vejo-me debaixo de mim mesmo” foi sinónimo de dança na Oliva

Uma mão cheia de bailarinos ofereceram (a sua) dança no espaço gravítico da Oliva (agora Oliva Creactive Factory), foi ontem, sábado, em São João da Madeira.

As instalações da antiga empresa cuja actividade industrial ligada ao segmento do ferro deu cartas nos mercados nacional e internacional servem agora de habitat artístico, daí que o Projecto Inacabado, um conceito criativo, empresarial e artístico, cujo mote é promover as artes performativas através da produção de espectáculos, em sintonia com Oliva Creative Factory, juntaram-se para concretizar a co-produção da peça “Agora vejo-me debaixo de mim mesmo”. A estreia da obra coreográfica decorreu no âmbito dos Palcos Instáveis, da Companhia Instável, em 2013. E ontem referido espectáculo ‘renasceu’ nas referidas instalações fabris com o estatuto de pioneiro de alguns vindouros que também se inserem no Projecto Inacabado.

créditos: Mariana Resende
créditos: Mariana Resende

O elã da peça foi o de convocar os intervenientes à dança pelo puro prazer de dançar e reflectiu esse mesmo prazer de dançar: “Dançar quando ninguém está a ver, dançar a dois, dançar em grupo, dançar num concerto, dançar até perder o controlo”. Aqueles que esperavam ver uma peça do género “Os cavalos também se abatem” ficaram desde logo desenganados. A entrega e a voluntariedade dos bailarinos (possuidores de diferentes formações profissionais e de faixa etária diferenciada, incluiu desde coreógrafas e bailarinas, passando por um médico, um corticeiro e um designer de moda) foi possuidor desse condão do fôlego dançante, mas sempre consciente dos limites da condição humana.

Pode dançar-se em silêncio, numa acção introspectiva e reflexiva, a verdade é que neste caso a música foi parte integrante e fundamental do processo, talvez por isso este artefacto artístico tivesse contado com a música original da banda The Black Chakra. Deste modo, Helena Oliveira (tributária do conceito e criação da peça), João Dias, Diana Carneiro, João Rôla e Manuel Magalhães dançaram ao sabor do diapasão sónico de João Isidro (voz e guitarra), Marco Silva (bateria), Pedro Duarte (guitarra e voz) Vitor Oliveira (teclas) e Pedro Almeida (baixo).

créditos: Mariana Resende
créditos: Mariana Resende

E como o móbil da dança em “Agora vejo-me debaixo de mim mesmo” é esse momento feito movimento, fez todo o sentido que existisse uma dimensão espácio-temporal no pós-espectáculo e que se converteu num singular apelo à dança dos circunstantes, só assim a meta proposta pelo espectáculo seria atingida. Por conseguinte, estava desde logo previsto um complemento sonoro, também ao vivo, que contou para o efeito com a prestação de Jonny Abbey (aka João Abrantes), um músico que se pauta pelas batidas electrónicas, ambientes Indie e melodias Pop e que se socorre de uma guitarra e dos teclados, instrumentos-chave para uma combinação descontraída do digital com o analógico. Esta parcela musical contou com a chancela da Adega Records, que assim se juntou num triunvirato promocional ao Projecto Inacabado e à Oliva Creative Factory, para levarem a cabo esta iniciativa. A noite tinha prometido, afinal a promessa durou até de madrugada.

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