A história de amor de “Zerlina”

Zerlina_créditos Rui Pinheiro

 

Zerlina é uma velha criada que, de quinta-feira a 22 de fevereiro, “confessa” a sua história de amor no Mosteiro de São Bento da Vitória, no Porto. O espetáculo, intitulado Zerlina, é protagonizado por Micaela Cardoso, que assume pela primeira vez uma encenação, em conjunto com José Roseira.

Partindo da narrativa A Criada Zerlina – que o filósofo e romancista austríaco Hermann inseriu no romance Os Inocentes –, a peça representa o que o autor quer dizer acerca do tempo, da morte e da redenção da morte.

Micaela Cardoso descreve Zerlina como uma figura “sumamente sexual e duramente feminina, que usa a sua condição como arma, dominando a intimidade da família que serve”. Para a encenadora e intérprete, o relato, que a envolve a si, à patroa e ao amante desta, “desloca o eixo temporal para o exercício da memória e desenrola-se no desejo de relembrar uma vida construída sobre uma imagem do amor, mas também sobre a busca do prazer e os recortes da arte da sedução”. Neste sentido, “mais do que fazer a Zerlina, trata-se aqui de ser a Zerlina, estender a ilusão teatral e, sem sacralizações, criar uma peregrinação, uma subcorrente que perpetue na memória do espectador a experiência de ser ele o hóspede, o visitante, o interlocutor, o ouvinte, o cúmplice, o voyeur”, conclui a encenadora.

Aquela que, segundo a filósofa Hannah Arendt, “é talvez a mais bela história de amor da literatura alemã” resulta de uma coprodução do Teatro Nacional São João com Micaela Cardoso.

Zerlina está em cena de quinta a sábado, às 21h00, à quarta-feira, às 19h00, e, aos domingos, às 16h00. Os bilhetes podem ser adquiridos por 10 euros.

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