A bancarrota

MarcelGermain / Foter / CC BY-NC-ND

Há uma grande diferença entre um país e uma empresa, quando chegam à bancarrota. Os países não desaparecem, continuam, embora percam a sua liberdade e independência decisórias se ficarem sob assistência condicionada por terceiros (outros Estados e/ou Organizações Internacionais), como é o hoje o nosso caso.

As empresas, ou são liquidadas, ou vêm as suas dividas reestruturadas, conforme for a decisão dos credores. Quando a opção cai na segunda hipótese, reestruturação, o que acontece é a aprovação de um plano recuperação, ou de insolvência, que prevê um conjunto de medidas, que são sempre tendentes a evitar que os credores percam a totalidade dos seus créditos, e que implicam, uma ou mais medidas como por exemplo, a venda de activos, a redução de despesas, a redução da divida, a redução ou extinção dos juros vencidos e/ou vincendos, tudo a fim de tentar encontrar uma plataforma realista para que a divida, no montante que for fixada, tenha condições realistas de ser liquidada.

Ou seja, é no interesse dos credores, para salvarem o “seu”, que seja encontrada uma fórmula que venha a alijar a carga da devedora. Quase invariavelmente os juros ou são anulados, ou são especialmente reduzidos, mesmo quando outras medidas são aplicadas, entre as já referidas e o alargamento dos prazos de reembolso.

No caso dos prestamistas de quem hoje dependemos (fruto de politicas nacionais e internacionais, verdadeiramente suicidárias, seguidas ao longo de muitos anos…) parece que com as condições do mix imposto, o que querem é que o devedor entre em incumprimento efectivo para finalmente entenderem que o cocktail escolhido é intragável.

A manutenção destes prazos, destas taxas, destas exigências sobre a maior parte dos clientes do devedor (que são os contribuintes que são simultaneamente os consumidores que podem gerar movimento à economia…), é a garantia que no final dará incumprimento garantido (ceteris paribus – nomeadamente manutenção no Euro).

Só um burro não entende, que se tudo o resto se mantiver igual, ou em degradação acentuada, os juros, e se calhar o capital e o prazo de reembolso terão que ser revistos em enorme baixa… Acho que falta aos nosso dirigentes que vêm defendendo que o modelo escolhido é sustentável, uma enorme falta de realismo, e quem sabe, uma enorme falta de lidar com insolvências (seja do lado dos credores, seja do lado dos devedores, ou de ambos), é que o bom senso e a experiência, não se aprendem nos bancos da escola, nas bancas dos partidos, ou nos gabinetes dourados do Estado ou de Organizações Internacionais…

Paulo Barros Vale, empresário
 

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